As gavetas

Não são trinta e seis as gavetasOnde confundes objectos azuisInúteis verdes e desirmanados Não são a melhor invençãoAs gavetasMas nelas encontras especiariasChás longínquos e chaves de portõesOnde começa a estradaOu listas de famíliasQue podem ser de árvores ou floresSem chegarem a ser herbário As gavetasNão serão a melhor das invençõesPreferes cantar e esbanjar versosAguardá-losAinda que […]

Reverberações

Vou no comboio: destino: passagem de ano. Trago comigo o computador, uma escova de dentes, uma muda de roupa e os fantasmas de Fisher[1], a descoberta mais poderosa deste ano, se quiser fazer esse exercício de dividir a vida em ciclos de trezentos e tal dias e desmembrar uma experiência de um corpo que nem […]

Cagarros no canal

Cais da Madalena, sete da tarde de um domingo de Agosto. Vozes de aeroporto, em português e inglês, anunciam pelos altifalantes partidas com destino, agradecem aos passageiros por terem aguardado, convidam-nos a embarcar. Há um tapete rolante na sala contígua onde os passageiros recém-chegados recolhem as suas malas. Acaba por ser estranho que o Gilberto […]

HCESAR (OPZ)

No início dos anos 60, nas férias grandes, não havia nada para fazer em Coimbra. O meu pai arranjava-me ocupações interessantes, como aprender dactilografia em teclados HCESAR, numa loja da Baixa que vendia máquinas de escrever e organizava cursos, com direito a diploma, frequentados por raparigas que aspiravam a um lugar de secretariado, no comércio. […]

Fantasia

Fantasia I Pareces uma camponesa portuguesa.Isto dito por um dos meus melhores amigos, estrangeiro.Que frase tão emblemática.Como eram as camponesas portuguesas?Não eram como eu.É muito interessante que eu corresponda a uma ficção de camponesa portuguesa, para alguém estrangeiro.Sou como alguém imagina uma camponesa portuguesa.Sou um produto da imaginação alheia, e da minha própria imaginação.Eu sei […]

Miguel Gouveia: A leitura é um ato de resistência

Um dia cansou-se. Cansou-se da loucura, da pressa, da rotina da vida de professor, de fazer as malas todos os domingos à noite. Miguel Gouveia era professor de Inglês num colégio privado em Carcavelos. Cláudia Lopes, a mulher, era designer em Coimbra. Não iriam prolongar a distância por mais tempo, nem o sonho de criar […]

Salvatore

Fugiu. Ou melhor, voltou a fugir. Desta vez, fê-lo fisicamente, geograficamente. Ninguém sabe onde pára. Já vasculhámos tudo, não há pedra que não tenhamos levantado nem recanto que não revirássemos. Os amigos, os inimigos, as cidades, os campos, os caminhos. A paisagem tornou-se um mapa conhecido ao pormenor, cada pinha, cada marcação na estrada, os […]

Porquê parquet?

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