Conselhos aos viajantes

Antes de mais, há que decidir a questão semântica – ou, simplesmente, precisar a quem se dirigem estes conselhos. O que é um viajante? Se tomarmos o passado como modelo, são poucos os que hoje mereceriam tal título. Noutras épocas também não seriam muitos, porque viajar/perder países era privilégio dos ricos e dos seus séquitos. […]

I. A Medeia, de Christa Wolf

Não existem só as pedras, as plantas, os animais, os humanos e os anjos. Há também relações, tensão e sentido, que é onde esse meu tu existe. É disso que o mundo é feito, feito de vários mundos e de encontros de figuras. Maria Gabriela Llansol, O Ensaio de Música Um texto só tem vida […]

Sexo a sério

“Suppose we think of sexuality as futile, losing oneself as you say, but losing oneself in the other. In other words, destroying one’s own individuality. Wouldn’t the ego in self defense automatically resist the impulse?” A dangerous method, David Cronenberg, 2011 “Bacteria and fungi abound to give us metaphors; but, metaphors aside (good luck with […]

Isabel Craveiro: “No teatro nunca estamos sozinhos”

Num tempo tão povoado de sombra e distâncias, o teatro ainda é lugar de salvação. Porque em palco, como diz Isabel Craveiro, nada se faz sozinho, nunca se está sozinho. A arte continua a ser um ato de resistência com tudo o que a resistência envolve: entrega, medo, coragem. Nascida na Covilhã, Isabel Craveiro iniciou […]

Traduções, Traições, Travessias

Mahmoud Darwich explica no prefácio da sua antologia poética, “O Jardim Adormecido”, a dupla posição do trabalho de um tradutor, que por um lado liberta a poesia da restrição da língua ao mesmo tempo que comete a célebre traição da dissolução na língua do tradutor. Mas Darwich não se fica por aqui, já que é […]

A monte

A nossa lua, Selene, é uma boa lua. Grande, brilhante, dinâmica, com o jeito certo para as marés. A única decente em torno de um planeta telúrico e uma das responsáveis pela vida que existe na Terra. Demasiada importância, pensaram uns engenheiros, para a deixarmos estar, para nos deixarmos estar. Há ali um potencial inexplorado. […]

Revelação intangível

Ininterrupto seria o caudal da água ali ausente. Apenas o meu olhar se confinava sem agonia ou desmerecimento. Um tributo clamando pelo efémero ou um abrigo onde perder as mãos. Seria piedoso se assim bastasse. Mas as cinzas e os vermes, essa matéria das estrelas que por vezes respiramos, são a medida de uma gramática, […]