Mulheres no rio

Serpins, 40 graus. Fui com a minha filha estrada fora, até à praia fluvial, a pé. O alcatrão queimava e buscávamos o alívio do rio. Estava cheio de mulheres e crianças. Havia salpicos por todo o lado. As mães atiravam-se para a água vestidas. Ciganas. Na areia, a matriarca de Serpins. Sentada a observar, estava […]

O «tempo dos incêndios»

Numa época que fez de todos os rituais efemérides de um passado distante, o «tempo dos incêndios» apresenta-se como o seu mais íntimo ritual. Ele ocupa já o calendário profano sem o qual é impossível pensar a liturgia do ano. E se todo o ritual tem na sua origem um sacrifício, a redenção é o […]

Procurou viver sem bocejar

São apenas sete. São uma série de lajes com algumas das muitas mensagens escritas pelo meu amigo Luís e recebidas no meu telemóvel. Os pequenos textos carregam a narrativa dos últimos meses anteriores ao seu fim – prematuro e deliberado. O Luís não cabia no lugar que habitava. A realização destas lajes foi pesarosa. O […]

Escondidos en el tiempo

Este trabalho faz parte da série de fotografias realizadas no ano de 1989 e trata fundamentalmente de querer capturar o desenvolvimento de uma ação no tempo, em termos conceptuais, um desejo de ir contra o instante decisivo duma fotografia. Aqui o tempo é fundamental, já que o tempo médio para a execução de cada uma […]

Intervalo, Especular e Suspensão

Breves notas a partir dos Espelhos Sonoros de Dungeness (Kent, U. K.)  A evocação das ruínas de um complexo militar concebido para prever ataques aéreos – que, todavia, não chegou a funcionar – serve como ponto de partida para se questionar o intervalo que separa a intenção da realização de uma obra. A possibilidade de erro que se joga nesse intervalo […]

A última visão dos heróis

“A última visão dos heróis” é uma série de 1995 que conjuga texto e imagem. Cada fotografia é dedicada a um herói e representa aquilo que poderia ter sido a sua última visão antes de morrer, evocando esse momento último em que o herói se confronta com o fim de uma vida dedicada a uma […]

Escrever com os dedos

Há uns anos valentes li numa antologia da obra de Wenceslau de Morais um texto que a certa altura referia um soldado da Manchúria que, caído no campo de batalha, escrevia qualquer coisa, molhando o indicador no sangue das suas feridas. Por mais que volte a essa antologia, e tenho-a aqui comigo, não consigo encontrar […]

Serranos

Pai e filho. Pastores da Serra da Estrela. Introduzem o novo carneiro no seu rebanho. O negócio com outro pastor foi feito ali. No ponto mais alto de Portugal continental. Em plena transumância.