O que de humano resiste em cada gargalhada
O riso magnífico é um trecho dessa música desvairada. Verso do poema “Gargalhada”, de Cecília Meireles Há uns dias, o Ípsilon trazia um depoimento de Irene Vallejo, filósofa e escritora espanhola, feito a partir de uma entrevista sobre a Inteligência Artificial (IA) e o que a aproxima e distancia do humano e da máquina. No […]
Deambulações – 4. Madrigal
O vento não move moinhos Mas as hélices das eólicas cortam O silêncio metálico das manhãs Que dói nos dentes As eólicas não geram quixotes Sanchos vão plos caminhos Por onde os pensamentos Como cão molhado Salpicam a boca de versos O coração atleta evita rimas A pele esticada Até a pétala ser estilete Recolhe […]
“Oh captain, my captain”
Nos primeiros anos de docência, Mário da Costa construía sempre um barco nas escolas por onde passava. Fazia-o com a ajuda dos alunos e era para ali que transportava as suas aulas, levando os miúdos a embarcar na História. Chamavam-lhe “professor caga barcos”. A partir daquela embarcação, o “capitão” incitava os miúdos a irem para […]
Confissão de um terrorista
Importa registar uma ferida no mundo. Uma das feridas do mundo. E importa começar este texto com uma chamada de consciência, suprimir a beleza que se espera da revista, e aceitar que se inicie uma leitura fora da poesia, como todas as coisas devem ser tanto quanto aquilo que são antes de se tornarem poemas. […]
Lindos cestos de vime
Cesteiro que faz um cesto faz um cento — diz o comissário Terezo ou o DI John Williams nome de escritor quando procura um padrão na série de crimes que investiga. O DI Williams não pode dizer isto porque os basket weavers não fazem cem cestos no UK. Mesmo o colectivo de Jacarta que deu […]
Osso Trinta e Seis
Osso Trinta e Seis tem a colaboração de Rui Vitorino Santos, desenho da capa . Luís Januário, Lindos cestos de vime . Luís Lucas Pereira, 4/6 . Hélio Barata, O fenómeno . Frederico Martinho, Confissão de um terrorista . Ana Paula Inácio, Deambulações — 4. Madrigal, com ilustração de Diogo Bessa . Martha Mendes, O […]
Notas do Arquivo
SLA/LS/VIS/EXP-C031/P19 O regresso à Europa, após os anos da guerra, não foi fácil para Slavick. Andou pelo eixo Praga-Bruxelas-Paris, a recolher coisas que tinha espalhadas e a tentar encontrar um lugar mais permanente. Na realidade, o seu lado nómada levou a melhor e acabou por passar alguns anos em constantes viagens. As atividades comerciais ligadas […]
A primeira casa é o corpo (parte III)
Ko Sam Sao
A campainha tocou à hora de jantar. Era o pai. Aparecia ao fim de décadas, durante as quais as únicas manifestações que produzira da sua existência haviam sido uns postais pontuais, pretensamente enviados de locais exóticos, que exibiam invariavelmente carimbos dos correios de locais ordinários, por vezes não muito distantes da aldeia onde abandonara a […]
Santa Cruz das Flores
Talvez atingido por um frémito de expectativa, o avião sacode-se ao baixar de altitude. Já se avista a ilha: um paredão de fálesias negras, aqui e ali pincelado de castanho, cortado por fitas de água, encimado por pastagens muito verdes, pontuado esparsamente no topo por casas brancas e baixas. Mais um espasmo do avião e […]